Padroeira do município é homenageada em 15 de setembro, feriado municipal; relato do saudoso professor Hézion Corrêa Custódio resgata uma das histórias populares sobre a origem da devoção e da Igreja Matriz
O município de Fartura terá feriado municipal na próxima terça-feira (15), em razão da celebração de Nossa Senhora das Dores, padroeira do município. A data faz parte do calendário tradicional da cidade e está ligada à história da formação de Fartura e à igreja matriz que leva o nome da santa.
A história da padroeira e uma das narrativas populares sobre a origem da igreja foram registradas pelo professor Hézion Corrêa Custódio, em publicação realizada ao lado do seu neto, o publicitário Luis Eduardo Bortotti, seis anos atrás no Portal 014. O material resgata memórias transmitidas entre antigos moradores e ajuda a preservar parte da história farturense.
Segundo o relato, embora não existam registros históricos oficiais que comprovem todos os detalhes da narrativa, a tradição popular associa a construção da igreja a uma promessa feita por Remígio José Vianna e Dona Constantina Maria de Jesus.
O casal teria prometido doar uma quantidade de terras a Nossa Senhora das Dores para que fosse construída uma capela no local. A promessa, segundo a história contada ao longo das gerações, teria sido motivada pela doença de um dos filhos do casal.
A criança teria se recuperado, mas a promessa não teria sido cumprida imediatamente. Remígio e Constantina morreram antes de concretizar a doação, e a tradição popular conta que a região teria passado a ser marcada por relatos sobrenaturais relacionados à promessa não cumprida.
Anos depois, Manoel José Viana teria decidido cumprir a promessa feita pelos pais e concretizado a doação das terras. Conforme o relato, a partir daí começou a ser erguida a Igreja Matriz de Fartura, no início do segundo semestre de 1880.
O próprio texto do professor Hézion faz questão de destacar o caráter popular da narrativa, sem apresentar a história como um registro histórico comprovado. Ainda assim, o relato representa uma importante peça da memória oral do município e ajuda a compreender como a devoção a Nossa Senhora das Dores se incorporou à identidade de Fartura.
Devoção a Nossa Senhora das Dores - Também conhecida como Mãe Dolorosa, Nossa Senhora das Dores é um dos títulos atribuídos à Virgem Maria e está relacionada às dores vividas por ela ao longo de sua vida, especialmente durante a Paixão de Cristo.
A representação tradicional da santa traz, muitas vezes, espadas junto ao coração, simbolizando suas sete dores. Para os devotos, a imagem também representa a força diante do sofrimento, o amor materno e a esperança de superação.
Essa simbologia se relaciona com a própria narrativa popular preservada sobre a origem da igreja de Fartura. A história de uma mãe diante da doença do filho e de uma promessa feita em busca de sua recuperação acabou sendo associada à devoção que se tornaria uma das marcas da cidade.
Homenagem ao professor Hézion - O resgate dessa história ganha um significado especial neste ano. O professor Hézion Corrêa Custódio, autor do relato que preserva essa narrativa, foi homenageado nesta semana com a inauguração da Escola Estadual Professor Hézion Corrêa Custódio, com a presença de seus familiares.
Figura muito querida em Fartura, Hézion dedicou sua trajetória à educação, à catequização e também à preservação da memória do município. Seu trabalho, que também se estendia ao rádio, ajudou na preservação histórias que fazem parte da identidade local e que, sem esse esforço, poderiam se perder com o passar das gerações.
Assim, às vésperas de mais um feriado dedicado à padroeira, o relato deixado pelo professor se torna também uma oportunidade de recordar não apenas a história de Nossa Senhora das Dores, mas parte da própria história de Fartura e daqueles que ajudaram a construí-la e preservá-la.
Com informações do Portal 014