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Ser assertiva ou ser rotulada? Por que a autoridade feminina  ainda incomoda em tantos espaços
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Ser assertiva ou ser rotulada? Por que a autoridade feminina ainda incomoda em tantos espaços

  • 23/12/2025 10:57:00
  • O Sudoeste
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Uma provocação necessária sobre trabalho, cultura e o preço pago por mulheres que se posicionam

 No último dia 15, celebrou-se o Dia da Mulher Advogada. Mais do que uma data simbólica, o momento convida a uma reflexão necessária sobre como mulheres são percebidas quando ocupam espaços de autoridade — especialmente quando se posicionam de forma firme e assertiva.
 Eu, como advogada, não poderia deixar de provocar esse questionamento. Mas é preciso dizer com clareza: ele não se restringe à advocacia. Esse desconforto diante do posicionamento feminino ocorre em praticamente todas as áreas — do ambiente corporativo à política, da academia à gestão pública.
 No exercício profissional, a assertividade é exigência técnica. Decidir, argumentar, sustentar posições e liderar fazem parte do trabalho. Ainda assim, quando essas atitudes partem de mulheres, frequentemente são deslegitimadas. O discurso feminino é interrompido, relativizado ou rotulado como “exagerado”, “emocional” ou “difícil”. O mesmo conteúdo, quando proferido por um homem, tende a ser interpretado como liderança ou firmeza.
 Na política, isso se evidencia de forma ainda mais explícita. Quantas vezes propostas apresentadas por mulheres são minimizadas não pelo conteúdo, mas pelo tom, pela postura ou pela simples condição de serem mulheres? Quantas lideranças femininas têm sua competência questionada não por falhas técnicas, mas por não se adequarem a expectativas comportamentais historicamente impostas?
 Nas relações de emprego, esse padrão se repete. Profissionais altamente capacitadas enfrentam resistência, precisam se explicar mais, provar mais e, muitas vezes, hesitam em adotar uma postura assertiva por receio das consequências simbólicas que isso pode gerar. Não se trata de insegurança individual, mas de uma cultura que ainda penaliza mulheres que ocupam espaços de decisão.
 Modificar esse cenário exige mudança cultural profunda. Exige revisão de práticas institucionais, de julgamentos automáticos e de discursos que silenciam, deslegitimam ou desqualificam o posicionamento feminino.
 A reflexão proposta pelo Dia da Mulher Advogada deve ir além da celebração. Deve servir como convite à construção de ambientes profissionais em que mulheres possam se posicionar, liderar e decidir sem que isso seja visto como exceção ou inadequação.
 Porque autoridade não tem gênero. Mas o respeito, infelizmente, ainda tem sido seletivo.

Dra. Débora Garcia Duarte 
Advogada. Mestre em Direito (UENP) Professora universitária. 
Autora da obra Reveng Porn: a perpetuação da violência contra a mulher na internet e o poder punitivo. 
Pesquisadora na área de direitos das mulheres e doutoranda.

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